


MANUEL QUERINO, (1851-1923) , sempre foi muito atuante nas questões
de trabalho e política, mas com a passagem do século dedicou
muito de seu tempo e energia a estudos históricos, em particular
à pesquisa e ao registro das contribuições dos Africanos
ao crescimento do Brazil. Esses estudos tinham dois objetivos. Por
um lado êle queria mostrar a seus irmãos de côr a contribuição
vital que deram ao Brasil; e por outro êle desejava lembrar aos Brasileiros
da raça branca a dívida que tinham com a Africa e com os Afro Brasileiros.Ao voltar sua atenção para a História, esperava reequilibrar a enfase tradicional da experiência europeia no Brasil. Nenhum Afro Brasileiro havia até então dado sua perspectiva da História do Brasil. Querino surgiu como o primeiro Brasileiro - afro ou branco - a detalhar, analizar e fazer justiça às contribuições Africanas ao Brasil. Apresentou suas conclusões em meio a um clima de opinião que era na melhor das hipóteses indiferente, e na pior racista e até hostil.
Querino, na época, trouxe à História do Brasil a perspectiva
do Afro Brasileiro. Morando na região de Matatú Grande em
Salvador, região habitada pela comunidade de descendência Africana,
êle conhecia com intimidade os hábitos, aspirações
e frustrações dos Afro Brasileiros. Falando de suas fontes
de pesquisa, Querino revelou que muitas de suas informações
vinham diretamente de respeitáveis Afro Brasileiros idosos que conversavam
com êle sem inibição, pois o viam como um amigo. Existem
evidências de que alem de escrever sobre os Afro Brasileiros, Querino
tambem ajudava a defendê-los. Chamou a atenção dos oficiais
municipais às perseguições existentes aos praticantes das
religiões Afro Bahianas. A polícia, rotulando essas religiões
como bárbaras e pagãs, frequentemente apareciam nos terreiros
onde haviam as cerimônias destruindo propriedades e ferindo os participantes.
A intervenção de Querino defendendo esta comunidade junto
ao govêrno local revelou mais uma vez sua realização
original em criar uma ponte entre culturas e classes sociais diferentes.
Historiadores certamente devem muito a Querino. Êle preservou um considerável
montante de informações sobre as artes, artistas e aretesões
da Bahia. Ninguem pode efetuar uma pesquisa sobre esses assuntos sem
consultar seus trabalhos. Alem do que êle é uma fonte excelente
para o estudo de Histó;ria Social. Em seu "As Artes na Bahia",
por exemplo, estão incluidos trechos de biografias de trabalhadores,
artesões e mecânicos, esses que são qualificados
como "pessoas comuns". Estas biografias originais fornecem uma
perspectiva inestimavel das vidas dos humildes, que foram os que mais contribuiram
para o crescimento do Brasil. Êle também oferece em seus ensaios informações
abundantes sobre costumes, cultura e religião.
Certamente uma das maiores contribuições de Querino à Historiografia Brasileira foi sua insistência para que a História Nacional levasse em consideração seu background Africano e à presença e influência dos Africanos. O Brasil,êle enfatizava, era o resultado da fusão entre Portugueses, Indios e Africanos, mas a contribuição dos Africanos estava sendo minimizada. Êle ratificou estas contribuições em seu ensaio sugestivo "O Colono Prêto como Fator da Civilização Brasileira" (1918). Neste ensaio, abundam as verdadeiras origens Brasileiras, muitas das quais os futuros estudiosos adotaram e expandiram - tanto que atualmente fica dificil apreciar a originalidade de Querino. Estudiosos enfatizam por exemplo, que a Africa proveu o Brasil de trabalho especializado e não especializado. No entanto, o ensaio sugeriu outras contribuições significativas dos Afro Brasileiros às quais os historiadores ainda estão por considerar. Por exemplo, Querino determinou o Afro Brasileiro como personagem principal na defesa do Brasil e na manutenção da unidade Nacional.
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