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BOSSA NA PRESSÃO - HAROLDO MAURO JR. TRIO    
Resenha por José Domingos Raffaelli    
 
 
 
 
 

     "Bossa na Pressão" (Delira Música) é um lançamento há muito aguardado pelos admiradores do pianista Haroldo Mauro Junior, na excelsa companhia de Sergio Barrozo (baixo) e Duduka da Fonseca (bateria). Ao contrário da maioria das produções independentes, Haroldo teve o bom senso de gravar com um trio fixo, sem convidados, consolidando a concepção e a unidade do conjunto, que funciona como uma única célula, perfeitamente integrado e em constante interação. Mauro, Sergio e Duduka possuem muitas afinidades musicais. Mauro tocou inúmeras vezes com Duduka, em New York, onde viveu 19 anos, desenvolvendo um entendimento quase telepático, e vem atuando com Sergio em clubes e concertos.

Haroldo iniciou seus estudos de piano aos seis anos, aos 11 passou para o trompete, depois aprendeu violão e bateria. A partir dos 15 anos aprofundou-se nos segredos do jazz e da bossa nova, iniciando sua carreira profissional tocando em bares e festivais. Aos 18 anos integrou o sexteto do saxofonista Victor Assis Brasil e depois o lendário quarteto do baterista Edison Machado, com o qual gravou o LP "Obras II: O Pulo do Gato". Ele também tocou com Edson Maciel, Paulo Moura, Elza Soares, Eliana Pittman e os irmãos Marcos e Paulo Sergio Valle, entre outros. Deu uma guinada para tocar bateria no trio do pianista Tenório Jr. e a seguir organizou seu quinteto. Mudou-se para os EUA, em 1972, para estudar no Berklee College of Music, em Boston, onde teve oportunidade de tocar com Joe Lovano, Andy LaVerne, Harvey Swartz, Billy Drews, John Scofield e Brian Torff, entre muitos outros, acumulando valiosa experiência. Após 19 anos na terra do jazz, retornou ao Brasil, onde continua em franca atividade e leciona na Universidade do Rio de Janeiro (Unirio).

Numa época em que vários pianistas são saudados e exaltados como autênticos fenômenos devido ao seu virtuosismo exacerbado, Haroldo é uma exceção, pois sempre foi avesso a extroversões, embora sua técnica nada fique a dever à dos demais. Ele supera os supostos fenômenos através do autodomínio da sua concentração musical, das improvisações eivadas de forma e estrutura, do seu supremo bom gosto, acentuado feeling, além do inerente e indispensável balanço de execução. Suas qualidades afloram a cada momento, seu talento é indiscutível, é um improvisador que explora as facetas melódico-harmônicas de cada tema com emoção, nuances e sutilezas. Ele rejeita clichês, em seu discurso nada é previsível ou programado, tudo provém da sua imaginação, retendo o essencial e descartando o supérfluo.

O variado repertório reúne composições de Haroldo ("Rua Juquiá", "Leda", "Quietude", "Terra de Angara" e "Lelé do Coração"), Raul Mascarenhas ("Sabor Carioca", que durante algum tempo fez parte do repertório dos conjuntos instrumentais cariocas), Alfredo Cardim ("Big Sur"), Tom Jobim ("Caminhos Cruzados", "Você Vai Ver" e "Desafinado") e Carlos Lyra ("Coisa mais Linda"), para as quais preparou os arranjos.

A música fala por si. Os solos articulados de Haroldo em "Rua Juquiá" (de intenso balanço coletivo com efervescente troca de quatro compassos entre Sergio e Duduka) , "Sabor Carioca" (esbanjando sua apurada técnica, porém sem exibicionismos gratuitos, com um suingue natural que aflora ao sabor das suas explorações melódico-harmônicas) e "Big Sur" (numa improvisação desenvolvida com fluência e coerência) estabelecem as diferenças definitivas entre um músico consciente que domina sua arte e os que tocam unicamente para exibir-se. Alguns dos seus solos desenvolvem extensões temáticas das composições.

"Caminhos Cruzados" e a singela "Quietude" confirmam ser ele um mestre da arte de expressar-se com poucas notas, realçada pelo caráter introspectivo das suas improvisações. "Leda", uma melodia de cinco notas, é realçada pela clareza do seu toque, evocando os anos dourados do Beco das Garrafas. Duduka inicia "Terra de Angara" criando efeitos polirritmicos de alta tensão e, a seguir, integra-se ao piano de Haroldo na exposição do tema, e Sergio brinda-nos com um solo articulado exibindo sua majestosa sonoridade, entonação e inteligente escolha de notas. "Lelé do Coração" enseja ao trio estabelecer um genuíno e abundante suingue.

Outro ponto que desperta nossa atenção é a abordagem pessoal de Haroldo nos clássicos Caminhos Cruzados", "Desafinado", "Você Vai Ver" e "Coisa Mais Linda", fugindo do lugar-comum, principalmente pelas harmonias que utiliza neste último.

Haroldo Mauro Junior continua refinando sua arte e "Bossa na Pressão" é um dos melhores lançamentos dos últimos tempos.

José Domingos Raffaelli

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Bossa na pressão - Haroldo Mauro Jr. Trio

Sergio Barrozo - contrabaixo
Duduka da Fonseca - bateria
Haroldo Mauro Jr. - piano

Delira Música, outubro de 2005

1. Caminhos cruzados
2. Rua Juquiá
3. Sabor carioca
4. Leda
5. Você vai ver
6. Big Sur
7. Terra de Angara
8. Quietude
9. Lelé do coração
10. Coisa mais linda
11. Desafinado
12. Depois do Natal

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