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A Poesia de Cartola

Angenor
O que é feito de você
(Cartola)

O que é feito de você
Ó minha mocidade
Ó minha força,
A minha vivacidade?
O que é feito dos meus versos
E do meu violão?
Troquei-os sem sentir
Por um simples bastão
E hoje quando eu passo
A gurizada pasma
Horrorizada como quem
Vê um fantasma
E um esqueleto humano assim vai
Cambaleando quase cai, não cai

Pés inchados, passos em falso
O olhar embaçado
Nenhum amigo ao meu lado
Não há por mim compaixão
A tudo vou assistindo
A ingratidão resistindo
Só sinto falta dos meus versos
Da mocidade e do meu violão.

O Sol nascerá
(Cartola)

A sorrir
Eu pretendo levar
A vida
Pois chorando
Eu vi a mocidade
Perdida

Finda a tempestade
O sol nascerá
Finda esta saudade
Hei de ter outro alguém
Para amar

Palco de Grande Tragédia,
ou Interroguei a uma Rosa
(Cartola)

Aqui beijaram-se
Ela e o outro amante
Neste jardim juraram um amor constante
Interroguei uma rosa
A rosa foi desbotando
A cada pergunta negando

Esse jardim foi palco de uma grande tragédia
Mas resolvi transformar tudo em comédia
Razões bastante eu tenho para as flores odiar
Pois a flor murchou, quedou, mas sem querer falar.

O Mundo é um moinho
(Cartola)

Ainda é cedo amor
Mal começastes a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Presta atenção querida
Embora eu saiba que estás resolvida
em cada esquina cai um pouco a tua vida
E em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó
Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares, estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com os teus pés.



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