Moacir Santos

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Moacir Santos é sem dúvida, uma das personalidades musicais Brasileiras mais importantes deste século. Sua vida, sua musica, sua carreira, enfim tudo o que compõem seu ser, e sua alma, é o retrato do cidadão Afro-Brasileiro, que tem que caminhar por estradas cheias de espinhos e perigos constantes para conseguir transmitir suas mensagens.

Moacir é se não o primeiro, um dos poucos cidadãos Afro Brasileiros a receber a medalha da Ordem do Rio Branco, honraria concedida pelo Presidente da República.


Moacir aonde o Sr. nasceu?
Nasci nos rincões do sertão do Brasil. Nos sertões de Pernambuco, não estou certo se é Serra Talhada ou Bom Nome, numas terras que meus pais herdaram, no mato mesmo.

Quantos anos de musica?
Eu acho que devia ter uns 2 anos quando comecei com a musica, liderando uma bandinha de garotos, bebes, todos nus, lá no sertão, uma cidade de cinco ruas chamada Flores onde fui criado até os 14 anos.

Mas o que vocês tocavam, todos nus em Flores, pequenos?
Imitávamos a banda da prefeitura, lata de qualquer tipo, servindo de instrumentos.

O Sr. disse que fugiu aos 14 anos, fugiu de que?
Fugi de casa.

Da casa dos seus pais?
Da casa dos meus pais ... quando minha rmãe morreu, eu tinha
2 anos de idade e fui adotado por uma familia, que eram
cinco irmãos, morávamos numa garagem, que foi cedida por um desses ricos, chamado major, capitão... Mas eu fugi, porque achava que em Flores, uma cidade de 5 ruas, não daria para eu expandir a minha musica, e além disso, eu levava uma vida muito subjulgada, eu apanhava muito, levava peia, sem merecer, uma moça que nunca casou era quem cuidava de mim, e ela me batia muito, facilmente . . . de tal forma que... por exemplo, ela me mandava ir ao mercado, que era um bocado longe, para comprar sabão, café, açucar, qualquer coisa,"Va logo", ela dizia, já me batendo.

Antes de ir? É uma educação diferente...
Bem emocional, mas errada.

O Sr. fugiu e foi para aonde?
De Flores eu saí para um lugar chamado Lagoa de Monteiro.

Mas o Sr. foi de que? a pé, de trem?
Um caminhão de uns rapazes que viajavam frequentemente, caminhão de carga, que carregava milho, feijão, então uma vez eu perquntei, e antes de eu perquntar eles falaram, "Você não é o garoto que tocou clarinete la em Lagoa de Baixo?"

O Sr. já tocava clarinete? Com quantos anos pegou um clarinete assim de verdade?
Acho que com uns 11 anos mais ou menos...

E o Sr. ficou indo de cidade em cidade?
Não, ai fui à Lagoa de Baixo, como o meu pai, o chefe da familia

Mas espere, porque que o Sr. não ficou com o seu pai quando sua mãe morreu?
Porque meu pai fugiu, abandonou a familia, porque ele disse... uma vez que eu encontrei com ele, não conhecia ele, sabia quem era, uma ou duas vezes que ele apareceu em Flores, conheci meu pai, e uma das vezes perquntei a ele porque abandonou a familia, e ele disse que foi forçado para ser militante para esses donos de fazenda, contra Lampião, na fase de Lampião, então ele foi... mas não justificaria...

E como o Sr. foi parar em Recife?
Quando fui para Rio Branco, e encontrei o Paixão , o senhor que me ensinou musica por algum tempo, e fui morar com ele e a familia dele, e me arranjaram um emprego de continuo na prefeitura, eu limpava, e via assim algum recado... e depois ele mudou-se para o Recife e eu fui com eles. Recife era uma cidade... eu olhei o mar eu senti uma coisa...

O Sr. nunca tinha visto o mar?
É, nunca, é aquela coisa descomunal... parecia uma pintura... Recife parecia não ser realidade ... mas algum tempo depois, Paixão, que gostava de tomar batida de maracuja, um dia numa forte me deu um murro na testa, então eu fui embora da casa dele.

Quando saiu da casa de Paixão, o Sr. permaneceu no Recife?
Procurei sair de lá também, porque não tinha nada, então fui para Vila Bela, estou indo para o sertão de novo ... apareceu um circo lá, e eles precisavam de um musico, para acompanhar a Miss Jani, que cantava e dançava. Ai em Serra Talhada eu fui morar na casa do Prefeito, porque depois de Recife eu fui para Serra Talhada, que na época que eu voltei era chamado de Vila Bela... bom aí eu morava na casa do Prefeito, e eu tocava na banda do Prefeitura, mas o Aluizio Benjamin, um destacado de Serra Talhada me empurrou, por que eu fui na casa do meu irmão, que ja era casado e tinha um filho, e quando eu fui visita-lo, eu adormeci com a criança na mão, na rede, e quando o sol bateu na minha cara e eu acordei, eu me lembrei dos ensaios, e quando cheguei lá, Aluizio Benjamin me chamou de moleque e me empurrou, então no outro dia eu estava falando com o prefeito na mesa, que deixei a banda, e ele disse, "Mas você vai perder o emprego", eu estava empregado como coletor dos impostos dos cavalos na feira, "Você deixou a banda preto", assim que ele me chamava "preto", mas com doçura, e ele branco. Mas esse pessoal do sertão do nordeste não é branco não, é escaldado, nao é preto nem caboclo, é escaldado. O circo tinha o nome de Farranha "Circo Farranha", e eles pensaram "O preto caiu do céu, agora ele vai com a gente", agora o circo tinha um maestro, e eu não tinha um instrumento...

Ai o Sr. ja está com uns 18 anos, né?
Não eu tinha 16 aninhos, em dois anos tudo isso ja tinha acontecido, então a gente foi para Pernambuco, ai depois entramos na Bahia, eu me familiarizava com os musicos, maestros da banda de musicos que chama Mestre da banda, e eu encontrei os melhores saxophones, por exemplo em Petrolina... oh que saxphone gostoso... sertanhoso, cada cidade um saxphone diferente. Entramos na Bahia, de uma cidade a outra, Bonfim... e outra cidade depois de Bonfim que eu não me lembro... fui terminar em Salvador. Conheci o pessoal assim dos Estados Unidos, o pessoal que ia a Paris. Era na época do Casino Tabaris ... época da guerra, entre 42, 43, e na época da guerra o Cassino Tabaris tinham muitos musicos de fora que vinham tocar lá, e parece que era muito necessário, os investimetos dobravam, multiplicavam. Eu nunca cheguei a trabalhar lá, mas aprendi muito com os musicos de lá, com os saxofonistas... tinha um que tocava com o saxofone deitado, mas eles tinham um som, eles eram monstros para mim mnaquela época. Foi como um banho de prata ou de ouro... de prata. Fiquei encantado com a demonstração, depois toquei lá na banda como demonstração,como eu era menino eu não tinha idade, por isso que demorou, burocracia... O tenente Paixão, que não tinha nada a ver com o outro Paixão, era o Diretor do Brigada de Salvador, mas não podia fazer nada, por que o menino era menor, então semanas que eu estava em Salvador, eu ja estava pensando em voltar para a minha terra, Pernambuco, depois que eu soube que estavam me procurando para tocar em um desses circos.

Como é que o Sr. sobrivevia, com os dinheirinhos que ganhava?
Olha, eu acho que é muito parecido com rato, e gato, não tem... só sei que estou vivo até agora. Aí pela volta, passei por Ceara, por que é assim, eu queria andar para qualquer lugar, para aonde fosse, pro Ceara? eu ia e fui, eu não queria era morrer. Então parei no Crato, passei por lá.

E como é que o Sr. chegava nesses lugares, de que?
Caminhões, pedindo carona. Por exemplo Crato, eu nem sei como é que eu fui parar em Crato , todos os lugares que eu chegava, eu perquntava aonde era a banda de musica. Felizmente o povo tem curiosidade, porque eu era moleque, Então eu toquei, e eles falaram "muito bem", e me mostrou o caminho para a casa do mestre e ele disse se eu podia me ajeitar por lá, e ver se eu podia ser parte da banda. Eu não sei se ele disse ao mestre neguinho ou rapazinho, mas ele disse, "Olha ele quer tocar saxophone.", e além disso eu tinha aprendido a ler de primeira vista na Bahia.

O Sr. aprendeu a ler n Bahia?
A ler de primeira vista, que é uma outra coisa, eu sabia musica, devagar mas eu sabia. Mas quando eu fui `a Bahia pra ler um ensaio com o Joca do piston, ele falou "Vocês tenham paciência com este rapaz que ele é muito promissor, ele promete muito", eu aprendi na marra, eu me envolvi de um tal jeito com o negócio e aprendi de vergonha, uma vergonha dos musicos que tocavam. Aí fui fazer um baile de carnaval , que eles me levaram em Juazeiro na Bahia, uma meia hora 45 minutos, num carro conversivel, e aqueles rapazes passeando, e cantando "Nega do Cabelo Duro" e outras coisas daquela época, e eles tocavam muito, isso que era uma maravilha. Carnaval no Crato, ganhei dinheiro comprei roupa e sapato, aí eu não sei... fui para Vila Bela. Por sudades de Pernambuco.
Ai o Sr. já estava com os seus 18 anos né, ja era maior?
Não, eu tinha dezessete, tudo isso aconteceu em tres anos.

Quantos anos o Sr. tinha quando foi para o Recife, se estabelecer definitivamente?
Foi em mas ou menos 1943.

E la foi diretor da orquestra da radio, né?
Não, eu não era do cenario artístico até depois que eu fiz minhas andanças, nos estados, e nas cidades pequenas de Pernambuco, eu fui pro Recife de novo, eu estaria estabelecido la, mas fui como um artista, me agarraram, compraram um saxofone alto, e eu apareci num programa chamado "Vitrine", um programa da t.v. 8, mas nem assim me estabeleci. Depois eu fiz uns freelancers assim e tal. Toquei num lugar, me parece chamar, 'Agua Fria', então eu ouvi falar que a policia da Paraiba estava recrutando musicos, que estavam aceitando musicos, ai foi assim que eu fui lpara a Paraiba e fiquei por la mais ou menos um ano e seis meses na policia, pois acharam que eu era um bom musico, depois eu dei baixa, por que a orquestra do Severino Araujo, tinha saido da Radio Tabajara para estabelecer-se no Rio de Janeiro. Então eu fui para tocar na Radio Tabajara e com pouco tempo me tornei o lider da Jazz band, e foi quando eu me casei. Então demorou muito tempo para eu ir para o Rio de Janeiro.

E a fase Rio de Janeiro?
Bem saindo do Recife, eu trabalhei no Rio de Janeiro, fui musico da orquestra da Radio Nacional, e depois por intermedio do velho Paulo Tapajos, fui promovido a Maestro arranjador da rádio. Havia um programa chamado "Quando os Maestros se encontram", e esta foi a minha estreia. Na Radio Nacional, tinha programa com musica ao vivo das 8 da manhã até a meia noite, então havia muito trabalho para músicos e arranjadores. Como eu, estavam trabalhando lá o Radames Gnatalli, Lyrio Panicalli, Guaraná, Lazoli, Alexandre Gnatalli, Eduardo Pathané, Zimbris, e muitos outros. Trabalhei lá por 19 anos. E eu ainda achava tempo para dar aulas, dei aulas à Nara Leão, Sergio Mendes, Roberto Menescal, maestro Peruze, Carlos Lyra, Nelson Gonçalves, Quartera, e muitos outros, por intermédio do Baden Powell conheci Vinicius de Moraes, com quem tenho muitas composições, como Se voce disser que sim e Menino Travesso, gravada pela Elizete, fiz o Nana, com o Mario Telles, gravei meu primeiro disco o Coisas, estive um tempo em São Paulo como maestro da TV Record, voltei ao Rio, onde escrevi trilhas para o cinema, Gangazumba de Caca Diegues, O beijo de Flavio Tambelini, Os Fuzis de Ruy Guerra, O Santo Módico, Seara Vermelha, do livro de Jorge Amado, que acho que foi um bom trabalho, e atraves de uma destas trilhas, Amor no Pacífico, que escrevi vim parar aqui nos Estados Unidos, pois ganhei de premio do Itamarati as passagens para vir assistir a estreia do filme, e resolvi ficar aqui, morando.

E o americano, tem facilidade para assimilar todo esse molejo Brasileiro?
Não, pelo contrário, tem muita dificuldade. Eu acho que eles aprendem desde cedo a coisa toda muito matematicamente, deixando pouco espaço para o espirito. Para o americano é mais fácil entender como se vai à Lua, do que entender o Samba, por exemplo.

E como foi o começo aqui em Los Angeles?
Eu vivia lá por Hollywood, arranjando concertos pelo jornal, pela União dos Musicos, fiquei catando as coisas por Hollywood. Vim parar aqui por sugestão, conselho do Sergio Mendes, eu vivia do meu saxofone.

E como arranjador? Com quem o Sr. trabalhou aqui como arranjador?
Aqui, eu não trabalhei como arranjador.

Só em seus próprios discos?
Sim. Eu trabalhei aqui, com a coisa, em filmes. Existe uma coisa chamada compositor fantasma aqui nos Estados Unidos. O compositor fantasma, é aquele que faz as coisas, uma ponta ou mesmo um pedaço do filme, mas não aparece o nome dele no piloto, não tem crédito, então...

Como assim, é um trabalho mais de orquestrador do que de compositor?
Às vezes de criação também. Então eu já tinha uma ideia do que era um ccompositor fantasma, não aparece, só recebe. As vezes eu sou o fantasma do fantasma.

Como se o fantasma estivesse com muito trabalho, então ele arranja um fantasma ajudante?
Isso, eu fui fantasma como esse, só recebi crédito num filme que eu participei, e compus algumas partes da trilha.

Que filme foi?
Foi, "Final Justice", de 1989.

O Sr. fez muitos desses trabalhos fantasmas?
Não, alguma coisa, mas não muito não.

E olhando aqueles panfletos todos lá na União, o Sr. conseguia muito trabalho?
Aí que está, trabalhei em igreja como pianista.

E o Sr. tocava na igreja todos os domingos?
Isso todo domingo, gospel music. Aí fui dar aulas.

De que matéria?
Olha eu.. piano, mas eu substituia os professores, então eu dava aula de quase tudo, até trombone de vara eu ensinei. Eu entrava numa porta, e não sabia nem o que eu ia ensinar...

Ficou muito tempo nessa escola?
Talvez uns... oito anos, uma boa temporada. Aí eu ja estava estabelecido como professor de orgão, tive que aprender os pedais, os registros. Aí eu fui a uma loja de musica e chegando na loja, estava falando com uns professores, e falei qualquer coisa de quem eu era, ai eles falaram "Moacir Santos, Você é o Moacir Santos?", e falou que tinha os meus discos e tal... era o Gary Foster. Ele era um dos professores, e me perquntou se eu queria aula de musica aqui em Pasadena, e isso transformou a minha vida... Eu vim logo morar, me mudei logo e tudo.

E quanto tempo o Sr. ficou dando aula na escola do Gary Foster?
Uns, mais ou menos oito anos. Foi quando eu mudei de vida.

Quantos discos o Sr. gravou para a Blue Note?
Três.

E o Sr. tem planos de gravar mais?
Eu tenho planos agora... eu gosto de gravar, eu gostaria... de estar lá. Eu gostaria de estar no meio. Mas eu vejo a minha vida ainda em ascensão, isso eu ja fiz... ja fui musico, compositor, professor... Eu fiz também esse disco, o "Maestro", que foi o meu primeiro disco, e foi nomeado para o Grammy Awards... então... mas eu tenho uma coisa de fazer musica erudita, a musica popular me puxa, pro lado se outro, foi uma fantasia, uma oferta que é enganadora ...

Essa musica erudita que o Sr. quer gravar, e está trabalhando, é baseada na cultura brasileira, quer dizer o atro-brasileiro, e com a suas raizes atricanas, do Recife, e de Flores. Tudo isso vai aparecer na sua Musica? O que que o Sr. pretende dizer com essa musica erudita sua?
Eu vou desenvolver essa resposta, olha a ... eu faria... eu queria resumir isso... antes eu aprendi que a... isso de fazer musica nacionalista, é quase um pretexto, tem uma razão... acontece que eu estou vendo claramente, está na cara, que o musico deve ser nacionalista, porque essa barreira... o musico está classificado em tres categorias, por exemplo, existe o compositor regional, o compositor nacional, e tem o compositor essencial, tem muitas fontes para atingir... e é muito bom que você comece com alguma coisa. Muito aconselhavel, é muito importante começar como você sendo folclorico, por que é aquilo que pertence a ele, depois nacionalista... mas aí assim, por exemplo, Aram Khatchaturian compositor russo-armenio, é um folclorista universal, por que ele toca o coração de todos,

Me dá uns exemplos de outros compositores dessa linha assim de universalistas.
Todos os compositores russos, a maioria que estão nos livros, eles estão... atingiram a universalidade. Por exemplo Tchaikovski, ele ... Luiz Gonzaga é um folclorista nacional, incendeia, pronto, ele vai cantando assim, e o povo gosta e inecendiou.

O Jobim é universalista?
O Jobim, eu acho que é universalista por que aonde é tocada, a musica é aceita, gostam, nas Filipinas, na Russia... mas tem uma coisa, ele faz musica popular.
Exatamente. Se bem que ele tem uns relances classicos, em algumas composições...
Não chega a ser assim... o essencial de Tom Jobim é popular. Embora sabemos assim... eu acho, eu voto, eu aposto assim na minha opinião, que muitos compositores não fizeram musica popular assim como o Tom Jobim, por que não souberam fazer, desenvolver, a sua alma desenvolve por esse campo ... que se transformam em musicas popularistas e eruditas. Agora os eruditos, quanto mais avançados no folclorico, eles acendem. Por que eles, os da erudição, transformam em maravilhas com tecnicas e sofisticação também. Por que esses musicos, não foram expostos ou determinados, eles fora pre-determinados... eles tinham que existir, haviam de existir, a musica erudita também, essa musica que se chamam erudita, essa musica desenvolvida... um panorama... a musica é como a rosa, tudo tem que ser perfeito você encontra tudo como um desenho, é uma beleza, é uma coisa, quem souber venerar uma rosa, é uma beleza, que nem a musica popular. A musica erudita é comparada com um jardim, no sentido que tem o festim, tem a garça, tem tudo, mas você vê de longe assim, e quando você vai se aproximando você vai encher de coisas, mas é preciso, coisas que o compositor tem que gravar... quando eu estava estudando com o Guerra Peixe, ele as vezes eu fazia uma musica assim, e ele falava agora isso aqui é encher, encher com qualquer coisa... tem umas coisas assim,que você tem o essencial, depois você... mas tem que fazer isso, por que é uma forma, e se não se fizer daquela maneira não pode ser considerara uma sonata ...

Então o Sr. está tentando revolucionar essa fórmula, o Sr. está pretendendo apresentar um trabalho assim mais livre dessa fórmula?
Primeiramente, eu acho que como um dever de dentro, eu não começar a revolucionar nada, por que do jeito que você aprende o beaba na cartilha, são regras, eu só tenho que estudar as fórmulas e segui-las, depois que eu me formar ... no beaba, na cartilha ai eu vôo, talvez ninguém mais pode voar, ai eu vou ser um condor.

E quando é que o mundo vai ter oportunidade de ouvir? O Sr. ja está com musica no papel, prontinho pra gravar?
Não, eu pretendo fazer isso, o meu passo vai agora ser esse.

E no coração?
No coração, já está armazenado...

Existem espalhados por todo o mundo, muitos admiradores seus, que estão querendo ouvir o Moacir, querendo a musica do Moacir, querendo ver o que que anda pela cabeça, e pelo coração do Moacir...
Eu acho,que vamos dizer com dez anos... eu terei... mesmo que não seja volumosa, mas poderosa, mesmo que se eu tiver uma meia duzia de obras eruditas...

Se aparecer de repente um convite de uma gravadora, alguém interessado em lançar um disco seu, assim no ano que vem...
Isso é muito fantasioso, muito enganoso, eu tenho a impressao que eu não devo ceder a essa fantasia, ilusoria... o que faço agora é unidade e variedade, unidade porque sou eu, são os meus pensamentos, variedade porque faço musica para qualquer formação, por exemplo, começo pelo nordeste fazendo musica com um quinteto de metais, já tem uma parte, os meninos de São Caetano querem musica, uma banda de musica do quartel me pediu musica... eu faço... eu acredito, e alguém tem que acreditar nessa unidade e variedade, então vai ser assim, tudo variado, um quinteto de metais numa faixa, os meninos de São Caetano cantando em outra faixa, a banda do quartel em outra, eu estou compondo para eles, seja o que quiser.

É isso então que está em seu coração agora?
Isso, uma unidade de variedades do Moacir Santos, eu vou numerar.

Mas essa variedade, podem ser centenas de repente, pois quanta vida o Sr. tem dentro de si, quantas coisas, experiências, ideias ...
Isso... vai variando.. variedades numero 1, 2, 3, ... é uma coisa interessante, surpresa... voce vai ouvir isso na unidade... variedade... a musica que está enquadrada numa categoria, tem que ter unidade e variedade ... e proporção, essas tres são tres essenciais da base musical, unidade, variedade e proporção, porque meio cavalo não pode correr...

Por que o Sr. acha que apesar dos americanos gostarem tanto da musica brasileira, tomarem aulas, a gente ve todos os grandes artistas americanos comparecerem nos shows de artistas Brasileiros, porque o mercado fonográfico continua totalmente fechado aos artistas Brasileiros?
Eu penso que é umas três coisas juntas, por exemplo, a industria aamericana não tenta internacionalizar... por exemplo, ele prefere um musico americano que tomou aula, que aprendeu coisas com o brasileiro, musicos... por que ele tem, ainda essa coisa, esse pensamento industrial pensando que vai vender mais ainda, que nem o cinema americano, é o cinema americano que ainda vende...

E por que então o Sr. acha que os artistas/musicos brasileiros que procuram fazer exatamente isso não cola? Por exemplo fazer uma musica americana com essas iscas brasileiras por que que isso não funciona da mesma maneira como o americano faz?
Essa perqunta é dificil, por exemplo, é dificil de enteder, o americano pensa como um americano, todo o nogócio, inclusive com a industria, o industrial, ele vai, ele volta ele vota no americano, no industrial americano, por que ele tem mais fé, ele compreende... é a psicologia, ele vê... o dinheiro mais vivo, e o brasileiro ou outro qualquer, é dificil, só quando ele é chamado assim, ou que ja entra arrebentando, aí estoura mesmo...

Moacir, o Sr. irá receber no proximo dia 12 de junho, no consulado Brasileiro de Los Angeles, uma honraria do governo Brasileiro. Que honraria é esta, e como o Sr. está se sentindo?
É a medalha da Ordem do Rio Branco, concedida pelo Exmo. Sr. Presidente da Republica, Fernando Henrique Cardoso, encomiado pelo Digníssimo Sr. Jório Gama, consul geral do Brasil em Los Angeles.
No meu sentimento eu acho que não mereço, tal elevada honraria, mas prefiro amenizar esta forma de pensamento dizendo que eu aceito esta mui subida honra como um adiantamento para o que eu tenho que fazer todo o resto de minha vida.

Que mensagem o Sr. gostaria de mandar, aos jovens Brasileiros que aspiram a carreira musical?
Primeiro; trabalhar fervorosamente em busca de seu objetivo.
Segundo; ter humildade no coração, porque só assim as fadas que dirigem o reino musical se aproximarão de voce.
E por fim, procurem ficar afinados com a natureza, observem as criaturas da natureza, por exemplo as flores, os animais, e procure escutar os seus sons quando são emitidos, muitos não têm sons, mas os 5 sentidos podem captar, por exemplo a flor, com sua beleza e seu perfume, (primeiro a visão e segundo o olfato) e assim por diante. Prestem constante atenção a todos os sons (principalmente dos homens e dos animais), que ouve para poder transforma-los em musica.

Obrigado Moacir, e desejo para o Sr. tudo o que há de melhor.
Obrigado.


Foto
Mario Luiz Thompson
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